quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"Herrar é umano" #EXTRA!!!

Antes de passar, certifique-se de que a porta está aberta...

Não é nada comum uma edição do "Herrar é umano" ser postada no meio da semana, ainda mais tão próxima de uma outra, mas esse vídeo me fez mudar de ideia. Eu não aguentaria segurá-lo até o fim de semana. Então pela primeira vez, um vídeo para o "H.U." vai ser postado um dia depois de ter sido descoberto!

Navegando pela web, dei uma olhada no site "Kibe Loco" e encontrei essa cena estranha (e engraçada ao mesmo tempo!). Entenda a situação: Mullah Katl Ud Din, um estudante paquistanês de engenharia (guarde essa informação) estava querendo ir pra casa depois de ter suas aulas. (aliás, de acordo com as legendas do vídeo, ele estava "gazeando" uma aula...) Até aí problema nenhum. O negócio é que a porta da universidade era uma daquelas portas que abrem quando você chega perto (ou, em bom português, era uma porta automática). Muito provavelmente, esqueceram de avisar isso pro Mullah, que acabou, involuntariamente, protagonizando uma das cenas mais engraçadas que eu já vi!! Dê uma olhada e veja se não é, no mínimo, hilário (e o melhor, não tem nada a ver com comunicação... quer dizer, tem, mas a falta dela. Na próxima, colocam uma placa ao lado da porta: "Espere abrir para poder passar!"):



Coitado... o mais curioso dessa história é que Mullah é estudante de engenharia... mas tudo bem, Ana Maria Braga é formada em biologia e disse que a castanha era animal... tá tudo em casa!!

Video by "KaptaanHindustan" (a música no vídeo se chama "the automatic door", de Anton Barbeau).

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Brasileiros e brasileiras (...)"

Isso é que é um povo patriota, hein!?

Nessa segunda-feira, 7, a independência de nosso país completou 187 anos! Se levarmos em conta o fato de que fomos descobertos em 1500, chegamos à conclusão de que não faz muito tempo que estamos "independentes" de nossos irmãos (de quem mesmo?) portugueses. Por coincidência, no dia anterior, 6, a seleção canarinho derrotou nossos hermanos (que família grande, hein?!) argentinos por 3 a 1, garantindo uma vaga na copa do ano que vem e mandando Maradonna, sua trupe e sua "água benta" de volta pra casa mais cedo (e sem direito a ir pra copa!!!). O país, como era de se esperar, virou uma grande festa (nós ganhamos da Argentina, uai!!!!!).

Nessas horas, o patriotismo do brasileiro resolve aparecer. Desde "vestir" a bandeira até andar o dia inteiro com a camisa da seleção: tudo vale na hora de mostrar a felicidade pela vitória (se for da Argentina, adicione mais 2 pontos). Mas aí chegamos num ponto interessante. Por que será que o brasileiro só mostra patriotismo quando isso envolve futebol?

Vamos parar pra analisar. Nossos brothers americanos (é tudo família também) adoram o 4 de julho, data de sua independência. Na ocasião, ocorrem shows pirotécnicos, bandeirinhas do país são colocadas nas portas das casas e as pessoas não perdem uma única oportunidade de sair às ruas cantando o hino nacional ("Oh, say, can you see, by the dawn's early light [...]"). E aqui no Brasil? Bem, geralmente as escolas fazem alguma coisinha, tipo "vamos pintar um desenho da bandeira", os cidadãos são convidados a visitar o museu (sim, aquele museu) e um ou outro se arrisca a cantar o hino nacional (a última a tentar foi a Vanusa... viu no que deu, né?!). Além disso, diferente dos americanos, nós, brasileiros, quase não sabemos nada sobre a nossa história. Prova disso é que a maior parte das pessoas só sabe que nosso país já passou dos 500 anos por causa da mega-campanha feita em cima disso pela Globo e o governo no ano 2000. Até réplica de caravela foi feita.

Mas, qual a diferença entre os americanos e nós, tupiniquins? Não sei. Só sei que nosso povo não é nada patriota. Nas escolas não se canta o hino nacional e nem se asteia a bandeira (apesar de só ter 19 anos, ainda peguei parte disso). Na época, eu achava tudo isso muito chato. Como todo mundo sabe, nosso hino é enorme! Além disso, Francisco Manuel da Silva, o homem que fez a melodia, deixou a coisa tão cadenciada (quadrada) que levava uma verdadeira eternidade pra cantá-lo inteiro. Antes que alguém resolva jogar uma pedra na minha cabeça por causa das coisas que eu disse (o nosso hino é o mais bonito do mundo!!), devo lembrar que isso era o que eu pensava quando tinha 10 anos de idade. Hoje, penso totalmente diferente. Se fosse um hábito comum cantar o hino nacional nas escolas, com certeza o povo não passaria vergonha na hora de cantá-lo (Vanusa...). Se a situação do hino nacional não é das melhores, imagine então a do nosso hino n°2: o da independência. São pouquíssimos aqueles que conseguem cantar inteiro o hino composto por D. Pedro I, em 1821, e depois "reescrito" (remix? Vanusa!) por Evaristo da Veiga em 1922.

O pior dessa história toda: sabe aquele ditado que diz "é rir pra não chorar"? Pois bem, ele se aplica perfeitamente à essa situação. Hoje em dia, faz-se muita piada em cima do fato de que o povo não sabe cantar os hinos (exceção feita aos hinos de futebol e os das igrejas). Programas exploram isso, fazendo consursos para ver quem sabe cantar pelo menos uma parte deles. Outros, quando questionados por equipes de reportagem, ficam rindo de sua ignorância. E também tem aqueles corajosos o suficiente pra cantar do jeito que sabem (Vanusa...). E, como "desgraça pouca é bobagem", aqueles que sabem cantar algum dos hinos do começo ao fim (modéstia à parte, eu sei o nacional inteiro =D) são vistos com um espanto gigantesco, como se fossem seres fantásticos (ou nerds.). Claro, se gabar disso é até legal, mas não era pra ser assim. Todo mundo deveria saber cantar.

Deve ser por isso que o senador Aluízio Mercadante (PT-SP) está tentando emplacar uma nova lei, que obriga todas as escolas do país a cantar o hino nacional pelo menos uma vez por semana. Espero, sinceramente, que essa lei pegue (e que não aconteça o mesmo que aconteceu com a lei-seca... aliás, que lei é essa mesmo?) rapidamente. Só assim, no futuro, nós, jornalistas, vamos parar as pessoas na rua para cantar o hino no 7 de setembro e elas vão realmente cantá-lo, sem fazer a coisa toda virar uma comédia pastelão! Aliás, espero que essa lei valha para os outros hinos também! Se bem que... pra que tanto hino, né!?

Ah, e pra vocês aí do fundão que não sabem o Hino da Independência, cá está (vê se decora!!):
Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Fonte: http://www.brasil.gov.br/pais/simbolos_hinos/hinos/Letra_indep/

P.S.: alguém notou a referência no título do post?


sábado, 5 de setembro de 2009

"Herrar é umano" #5

Só abra a boca quando tiver certeza!!

Muito bem, a partir de hoje, o "herrar é umano" sai do campo do jornalismo pra navegar por uma área mais abrangente.
Já que não é só no jornalismo que se cometem gafes, não é verdade?

Pra começar essa nova fase, vou apresentar uma gafe que muitos vão achar meio bobinha. E é mesmo, mas, como nossa personagem teve tempo pra pensar no que iria dizer, ganha um passe para o H.U.

Na semana passada, durante o programa "Mais Você", da Rede Globo, Ana Maria Braga (formada em biologia) estava ensinando uma receita de Bolo de Castanha do Pará para suas telespectadoras. Até aí nada errado. O problema apareceu quando Ana Maria resolveu mostrar seus "conhecimentos", indicando a que reino a castanha pertencia. Mas aí você diz "ela é formada em biologia. Nada mais natural que ela dar uma aula para seus telespectadores.". É... pode ser... mas dá uma olhada:



Sim, aposto que você não sabia que a Castanha do Pará é um animal. Surpreendente, não?! Mas, como eu disse, esse é um errinho tipo 1, ou seja, nada grave... claro, ela pensou (e titubeou) antes de falar, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ou será que tem?!

Video by www.doisespressos.wordpress.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nós, os focas.


Ser "foca" deve ser engraçado...

“O foca sempre entra numa fria”, “aprende rápido a realizar pequenas tarefas em troca de poucas sardinhas”, “fica boiando o tempo todo”, “ele tem um ar puro, inocente”. Essas palavras foram ditas por Tião Gomes Pinto, diretor de redação da Revista Imprensa. Apesar de engraçadas, elas refletem exatamente como deve ser a vida de um jornalista novato, que é, "carinhosamente", chamado de "foca".

Qual o porquê desse "nome"? Bem, isso Valdir Sanches explicou no blog dos estudantes de jornalismo da PUC: "(...)Outro bicho, este marcante no jargão do jornalismo é a foca. Na verdade, "o" foca. Jornalista novo, inexperiente. Um foca. Consta que o apelido vem dos remotos tempos do flash a magnésio. Os fotógrafos dos jornais preparavam suas máquinas: focavam e deixavam o obturador (uma pequena "janela") aberto. Quando todos estavam prontos, alguém riscava um fósforo numa placa de magnésio e ela "explodia" [!!] num clarão. Essa luz passava pelo obturador aberto e impressionava a chapa, o avô do filme [N.E.: bota avô nisso...]. Ocorre que alguns fotógrafos, inexperientes, demoravam para preparar a máquina - e atrasavam os outros. "Péra aí, estou focando." E os outros: "Foca logo, caramba." E mais tarde... "Ih, lá vem o foca". No final do texto, Sanches lembra que essa é a história que ele vende porque foi essa que ele comprou...

Independente de qual seja a origem do termo, eu, sendo um foca "em formação" (isso existe?), posso dizer, ou melhor, imaginar como deve ser a vida de um jornalista novato dentro de uma redação de um jornal qualquer.

A primeira coisa que o "foca" deve sentir ao entrar na redação é um deslumbramento sem tamanho. Ver aquele monte de gente indo pra lá e pra cá, a busca desenfreada pela informação, a gritaria (sei que isso já não é tão comum hoje em dia, mas nunca se sabe...), gente importante dando as caras de vez em quando e o reconhecimento... ah, esse é o desejo secreto de todo jornalista: ser reconhecido na rua, ganhar prêmios, entrar para o "Hall da Fama" do jornalismo. Legal, não?! Mas, vá por mim caro futuro colega... as coisas são um pouquinho diferentes... mas só um pouquinho.

Voltando àquelas frases do início do post, chega-se a uma conclusão muito simples: vida de "foca" é uma aventura. Sem exageiro nenhum. Além de ser o mais corajoso do bando, o "foca" deve ter um certo desapego de sua vida pessoal. Não entendeu? Simples. Por ser um novato na coisa, um foca quase nunca consegue um emprego fixo num lugar. Sem a carteira assinada, o que resta? Freelas! Fazer freelance é o que há para quem está começando. Um freelancer é aquele que não perde uma única oportunidade de escrever. Mesmo que as redações vivam cheias de gente, sempre surgem matérias que o pessoal "da casa" não pode assumir. São essas que vão parar nas mãos dos "caçadores de matérias da arca perdida". E, como uma "freelada" só não faz verão (ou seja, não dá tanto $$ assim), os "foquinhas" geralmente escrevem vários textos para vários veículos, o que demanda um tempo imenso, arrancando de você uma das únicas coisas que uma pessoa ainda pode se orgulhar: a vida pessoal. Por isso o desapego, entendeu??

Outra coisa que os "focas" aprendem na marra é como funciona uma redação e como sobreviver (não enlouquecer é o termo certo) dentro do jogo de interesses que acontece nesses locais. Assim como as focas reais têm de correr das baleias para não virar almoço, os "focas" têm de se virar para não serem engolidos por outros "focas" (canibalismo...). Como esse negócio é muito concorrido, se você dormir no ponto vem alguém e "NHAC", te engole e pega seu lugar. Mas isso é normal, pois a tal da concorrência está aí, mas, se o "foca" não estiver ligado... ou melhor, se ele ficar boiando por muito tempo e não aprender a nadar contra e a favor da corrente, ele dança... e pode até ser uma "dança no gelo"... sacou? Gelo... foca... enfim.

Outra coisa, que vem na cola dessa no parágrafo anterior, é uma lição simples: o "foca" tem que se ligar na malandragem da profissão. A vida de um jornalista é cheia de macetes (antes que alguém pergunte, eu ainda não conheço nenhum... esse é o tipo de coisa que só se aprende com o tempo), e esses macetes podem te levar longe na profissão. Alguns deles exigem uma leve dose de maldade, por isso não adianta ser o "super bonzinho" o tempo todo. Não confundam (por favor) maldade com mau-caratismo ou falta de ética. Essas são coisas totalmente diferentes. O que eu quero dizer é que um bom jornalista sempre tem um pouco de ginga pra conseguir suas pautas (que podem ser muito "cabeludas") e sempre tem uma carta na manga. Foi isso que levou José Roberto de Alencar (jornalista e autor do livro "Sorte e Arte") tão longe na profissão, conseguindo, diga-se de passagem, vários "furos" e "primeiras páginas". Vá por mim, vale a pena ouvir uma pessoa que conseguiu um furo numa revista de química. Como diria o patrão: "Isso é incrível!"

Ah, e uma última coisa antes de concluir. Graças a Gilmar Mendes, os focas que resolveram dar as caras no mundo do jornalismo nesse ano já começaram entrando numa fria: a obrigatoriedade do diploma foi pro espaço!

Focas do Brasil, uni-vos! Mesmo que o "mar não esteja pra peixe", podemos sim fazer a diferença nessa profissão tão nobre. O jornalismo é uma arte. E como tudo na vida tem seus altos e baixos. Por isso, mesmo com todas as dificuldades que vão aparecer pela frente (aliás, elas andam aparecendo com uma frequência muito grande ultimamente), temos que continuar. E, se quisermos deixar nossa marca, temos de "botar nossa mola" (como se diz aqui em Alagoas) e mostrar que somos bons, pois, nesse mundo em que o maior tenta engolir o menor, só os fortes sobrevivem (três frases clichês no mesmo parágrafo? Legal...). Mas, cá entre nós, espero não ser foca por muito tempo... deve ser uma coisa muito tensa! =D

PS.: No livro "Sorte e Arte", José Roberto de Alencar fala sobre como conseguiu alguns dos "furos" de reportagem em sua carreira. Muito interessante esse livro... acredite em mim: você não faz ideia das coisas que ele fez em busca da primeira página... aliás, em busca do topo da primeira página, a área nobre de um jornal!


Fonte: blogs "A gente é foca, baby" e "Focas do meu Brasil".