domingo, 8 de novembro de 2009

ENADE pra não morrer na praia...

Prova de Brasília, que foi parar na mão do DCE da UDF
30 min depois do início da avaliação e que foi lida em voz alta
em frente a um dos colégios... legal!

Nesse domingo, 8, ocorreram em todo país as provas do ENADE, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, ou, em outras palavras, uma prova que avalia se o ensino superior do país está sendo feito direito e se os alunos estão aprendendo alguma coisa. Mais de 1,1 milhão de estudantes (como esse que vos fala) se inscreveram... aliás, foram inscritos (num processo incrivelmente democrático) por suas instituições. E, se você não fizer essa prova, não recebe o diploma no fim do curso! Não que faça alguma diferença para nós, estudantes de jornalismo...

Mas pra que serve o ENADE, você me pergunta. E eu respondo: é muito simples. As notas do ENADE variam de 1 a 5, onde 1 é muito ruim e 5, ótimo. Se o curso (e não a faculdade) alcançarem uma nota menor que 2 por mais de uma vez, o curso pode fechar. E o dinheiro que as instituições recebem do MEC é baseado também no resultado desse exame. Ou seja, se os estudantes forem mal, o mínimo que pode acontecer é um corte nos recursos (já tão escassos) das faculdades públicas do país. Só um detalhe: essa história de fechamento de curso é mais comum em faculdades particulares. A UFAL (minha "querida" UFAL), que é pública, corre um risco muito baixo de ter algum de seus cursos fechados.

O que é um verdadeiro alento, pois é algo comum os DCEs da maioria da universidades incentivarem os estudantes a boicotarem a avaliação, indo aos locais de prova somente para assinar a frequência. Não é nada estranho ver, passados os 30 minutos mínimos de permanência com a prova nas mãos, alunos saindo das escolas onde o exame está sendo aplicado. Alguns, como Yuri Carneiro, estudante de direito da UDF (Universidade do Distrito Federal), dizem que conseguiram responder todas as 40 questões nessa meia hora, mas a maioria esmagadora sai mais cedo porque boicotou a prova.

Mas qual a razão para esse boicote? Bem, a UNE (união nacional dos estudantes) alega, na pessoa de sua presidente, Lúcia Stumpf, que "isso é insuficiente, não aponta soluções. Nós exigimos que o governo federal avalie as universidades, conheça a qualidade dos cursos e ajude a regulamentar o ensino superior privado". Simplificando: o ENADE, na visão da UNE não avalia o ensino superior como deveria. E o MEC está, digamos, fazendo a avaliação de qualquer jeito e não como determina o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior), que utiliza outros critérios para avaliar os cursos, tais como a gestão, o corpo docente, a responsabilidade social da instituição, o projeto pedagógico do curso e variáveis que influenciam na qualidade do ensino.

Porém, o medo de que o curso seja fechado faz com que os estudantes compareçam e respondam as provas. Mas esse não é o único motivo que faz com que os estudantes saiam de suas casas (como os cariocas, que foram fazer a prova debaixo de um calor quase infernal) para serem avaliados. Algumas instituições oferecem algumas "bonificações" para aqueles que se saírem bem. Esses prêmios variam desde bolsas de pós-graduação até... carros zero quilômetro! Isso é o que eu chamo de injeção de ânimo!!

Vendo tudo isso, até parece que a prova era um bicho de sete cabeças, certo? Errado! Eu esperava uma prova muito mais complicada do que a apresentada hoje. Se você soubesse o mínimo de interpretação de texto conseguia fazer a prova numa boa. Não sei se isso se deve ao fato de que Comunicação Social é um curso mais centrado em leitura do que, por exemplo, matemática. Mas, mesmo assim, a prova estava num nível mais baixo do que o vestibular que eu fiz ano passado! Incrível perceber que depois que você entra na faculdade as coisas ficam mais fáceis!

Enfim, espero que a nota do já tão precário curso de Comunicação Social da UFAL não seja tão ruim e que os "UFALenses" que resolveram boicotar a prova não representem um obstáculo para que o curso possa se desenvolver. Mesmo que o ENADE nada mais seja que uma "loteria intelectual", pra ver qual instituição leva mais dinheiro dos cofres do MEC, é importante que o levemos a sério. Claro, eu apoio totalmente a luta da UNE para a melhora do sistema de avaliação ("O Conceito Preliminar de Curso [novo indicador implementado esse ano que leva em consideração a infra-estrutura, a titularidade dos professores e uma avaliação dos alunos sobre o currículo do curso] foi uma conquista nossa, com o boicote do ano passado. É um avanço, mas nós acreditamos que o Sinaes ainda não é implementado na sua totalidade", diz Lúcia.), mas, enquanto a coisa não muda, o jeito é "dançar conforme a música"...mas nada impede que criemos alguns passos, para que a coisa funcione do nosso jeito.

Image by José Cruz/Agência Brasil/ R7
Com informações de r7.com e estadao.com.br


5 comentários:

Eduardo Leite disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk o trocadilho foi péssimo :XXX

Elayne Pontual disse...

"Não que faça alguma diferença para nós, estudantes de jornalismo...".Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk =x é triste, mas quero pelo menos o direito de rir da situação. Se eu começar a chorar não paro mais. =s

Eu devia ter boicotado essa bosta de prova... comecei a fazer as questões abertas e me arrependi. ¬¬

:*

Ludmila disse...

Claro que o ENADE não faz sentido! Se o curso tirar uma nota baixa, e ÓBVIO que falta alguma coisa. A solução seria investir mais, tentar reverter o quadro... E não cortar recursos.
Causa e efeito! Ou a minha lógica anda deturpada?

Como é que se avalia algo que não é incentivado? Eu hein...

dEREK disse...

É... alógica do MEC não faz o menor sentido, mas, como são eles que dizem quais são as regras do jogo, só nos resta seguí-las... até onde nossa paciência permite, pois, de nada adianta ficarmos fazendo tantas provas para no fim das contas tudo continuar na mesma. Essas "boas notas no ENADE" só servem, no fim das contas, para que as universidades se promovam nas campanhas publicitárias. Claro, a renda chega (basta dar uma olhada no curso de Educação Física lá da UFAL), mas não é o bastante para melhorar o ensino. Aposto 50% do salário da Ana Dayse que os professores, a parte mais interessada (ao menos teoricamente) num ensino decente para os alunos, não veem nem um centavo desse dinheiro, nem em forma de bonificação pelo "bom" trabalho nem em forma de melhorias nos ambientes de ensino...
É triste, mas, pelo jeito que a coisa anda, é verdade...

E... fala sério, o trocadilho com o ENADE não ficou ruim!!!

David disse...

Boa, De-rek! Não concordo com o método ENADE de avaliar, mas também não concordo com o boicote...