domingo, 20 de dezembro de 2009

"A gente somos piratas!"

Download de músicas: o "carro-chefe" da pirataria digital!

A notícia é velha, mas ainda assim preocupante: o Brasil, em 2003, foi incluído na lista negra dos países que pouco faziam para barrar o crescimento da pirataria. Nesta mesma lista está a campeã no quesito "eu copio sim, e daí?!", a China, lugar onde 90% dos cds vendidos são falsificados (de acordo com dados de 2003 da Federação Internacional da Indústria Fonográfica). Não, você não leu errado. De cada 10 discos vendidos na terra de nossos irmãos de olhinhos puxados, 9 são cópias piratas, vendidas por camelôs ou baixadas da internet.

Isso mostra o quão difundida está a cultura de downloads, seja de músicas, softwares, jogos ou seja lá o que for. Eu mesmo, de uns anos pra cá, me tornei um "pirata" de música na internet. De todas as músicas que tenho salvas aqui no meu PC (mais de 4GB), só umas 8 vieram de um CD que a minha irmã comprou ou ganhou (sei lá). O resto veio dos famosos programas de compartilhamento de música, como o meu favorito "Ares" ou o queridinho das multidões, "Emule". Existem também sites especializados nisso, como aqueles de torrent (caso do "Pirate Bay" e do "Mininova", antes de serem pegos pela justiça [droga!]). Provavelmente você já usou um desses meios pra conseguir aquela música de que tanto gosta. Isso se, num ato de loucura extrema ou grande necessidade, você não parou na rua um daqueles barulhentos carrinhos onde são vendidos CDs e DVDs dos mais variados tipos.

Não importa como acontece: a pirataria vem tirando o sono das gravadoras (e da indústria como um todo). Ainda de acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, em seu Relatório de Pirataria Comercial, de 2005, 1 em cada 3 CDs vendidos no mundo usa "tapa olho e perna de pau". Essa indústria já movimenta algo em torno de US$ 4,6 bilhões. Esse mesmo relatório diz que a venda de músicas ilegais (naquele famoso CD-R) aumentou 6% na América Latina e que, em 31 países, a venda de CDs ilegais já ultrapassou a venda legal! São dados assustadores, considerando-se o fato de que esses dados falam SOMENTE da pirataria na música.

Mas qual a razão dessa ilegalidade toda? Bem, como usuário de alguns desses métodos "ilegais", posso dizer com convicção: baixar uma música é muito mais prático do que comprar um CD. Por algumas razões. Uma delas é que às vezes você só gostou de uma música específica. Em outros tempos, mesmo gostando de apenas uma música, você era obrigado a comprar o CD inteiro. Um enorme desperdício, não?! Outro motivo, e esse vale para música, filmes, games etc etc, é o preço. Enquanto uma música baixada da internet sai (teoricamente) de graça, um CD custa, digamos, bastante (R$ 80,00 por um CD, R$ 100,00 por um DVD e R$200,00 por um jogo tá bom pra você?). Além de que agora você não precisa sair mais de casa pra comprar esses CDs. Então, não importa o que as gravadoras dizem: a internet é a tal "luz no fim do túnel" para nós menos abastados (até mesmo para aqueles que podem pagar esses preços!). Certo?!

Nem tanto. Essas "vantagens" da ilegalidade são justamente onde se escondem os maiores defeitos e perigos da pirataria. Esqueça a parte de gostar somente de uma música. Isso vai do gosto pessoal de cada um, ainda que, ouvindo o CD inteiro algumas vezes, você pode vir a gostar de uma música ou outra, ou mesmo do álbum inteiro. O problema maior está na parte econômica. As coisas aqui no nosso país são muito caras. Quer um exemplo? Lá vai: Você tem um Wii em casa? Sabia que lá nos EUA ele custa US$ 249,99? Aqui no Brasil, os preços variam entre R$ 899,00 e R$ 1699,00. Usando a cotação do dólar do dia 18/12 desse ano (US$ 1 = R$ 1,78), teríamos que o preço do console aqui deveria ser de R$ 446,66. (e eu nem vou falar do valor dos jogos pra você não ter um treco!). Sabe qual a razão dessa discrepância toda entre os preços? Simples: os impostos. As taxas aqui no nosso país estão entre as mais altas do mundo. Enquanto se cobrarem valores exorbitantes daqueles que produzem todos esses bens culturais (como a música, filmes, jogos) ou não, os valores vão continuar altos, as pessoas vão continuar consumindo a pirataria, e, segundo o site da campanha "Pirataria: Tô Fora", mais tráfico de drogas e mais desemprego vão continuar acontecendo.

Mas aí você me pergunta: só baixar os impostos realmente resolveria o problema? Não exatamente, já que a compra "do que é mais fácil" já está presente na nossa cultura desde muito tempo. Não vai ser algo fácil de resolver. E como os gastos do governo continuam subindo, os impostos continuarão seguindo o mesmo caminho, fazendo com que as despesas dos estúdios, gravadoras (e bla, bla, bla) subam ainda mais. Esses gastos refletem nos produtos finais e "voilá", cá estamos com preços altos de novo, voltando ao círculo vicioso de que falou certa vez um executivo da Microsoft: "um produto é caro por não vender e não vende por ser caro". Ah, detalhe: esse "cenário" que eu construí aqui se refere a coisas produzidas aqui no Brasil. Se formos falar dos importados... bem, é melhor deixar pra lá!

Algumas atitudes já estão sendo tomadas, como a venda de músicas avulsas pela internet (tanto pelas gravadoras como pelos músicos) ou então o download pago de games (caso do Zeebo, console da Tectoy em que os jogos são baixados a partir de R$ 9,99 e não existem em mídia física) e filmes (como na "loja online" da SONY no PS3).

Você reparou que as soluções tomadas pelos figurões da indústria giram em torno da internet, justamente aquela que é sempre "maldita" na boca deles?! E essa deve ser mesmo a salvação da indústria: ver a internet como aliada e não como inimiga, pois, se assim fosse, já teriam dado o "shutdown" nela há muito tempo! Outra coisa: claro que comprar algo original é muito melhor por "N" razões (garantia, confiabilidade, durabilidade, vantagens, etc etc), mas enquanto se praticarem preços que fujam da realidade do brasileiro (basta ver que grande parte da "cultura" vendida não cabe no orçamento da maioria das famílias do país) essa situação dificilmente irá mudar. Vontade do povo não falta (se o povo não gostasse desse "produtos" não comprava nem mesmo os piratas), mas ainda falta aquele "empurrãozinho" que só os grandões podem dar!

P.S.1: se bem que pagar qualquer coisa por uma música quando dá pra ter de graça ainda é estranho (ilegal, mas estranho)... viva os compartilhadores de conteúdo!!

P.S.2: as opiniões aqui apresentadas são de minha responsabilidade e refletem minha maneira de pensar. Tá, de vez em quando eu sou um pouco anárquico, mas, quem não é?!?!

P.S.3: ah, eu sei que não existem CDs de 80 pratas, mas... o exagero aumenta o apelo do post, sacô?!?! =D

Fontes: site da campanha "Pirataria: Tô Fora!", Terra Música, ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Disco, Valor Online, Banco Central do Brasil e Buscapé.

Um comentário:

Eduardo Leite disse...

cd de 80 reais? kkkkkkkkk aonde esse? :X Nunca vi não (A). E eu sou contra a pirataria, mas sou totalmente a favor de se ouvir/ver antes de adquirir. Tipo, eu baixo um cd e, se ele for bom, eu procuro comprar. Se não for bom, vai pra lixeira. Um cd original, com seu encarte e seus dados, é a coisa mais linda do mundo! *.*